O aumento no preço da tarifa de ônibus em São Paulo foi a gota d'água que faltava para transbordar um mar de insatisfação popular que pegou de calças curtas a classe política e os empresários do setor de transporte coletivo. Em pleno período de Copa das Confederações em terras tupiniquins (com o circo armado no nosso quintal), tudo o que o governo queria era ver o povo na rua, levantando a Bandeira e entoando o Hino Nacional. Em uma rede social nunca antes imaginada para este período esportivo, o povo foi às ruas e se se tornou um espetáculo de democracia - com a infeliz participação de terroristas travestidos de manifestantes.
O desejo de ir às ruas (não para comemorar um gol, mas para exigir algo de direito) chegou a Pitangui. Na ensolarada manhã de 22/6, cerca de 300 pessoas percorreram as principais ruas e avenidas do Centro com faixas, cartazes e gritos de ordem. No cruzamento da rua Coronel José Saldanha com a avenida Lima Guimarães, os reivindicantes sentaram no asfalto e cantaram o Hino Nacional (feito que se repetiu na rua do Pilar e em frente à Câmara).
Outro grande momento ocorreu em frente ao Fórum, onde centenas ocuparam as escadarias e clamaram por justiça. A casa do prefeito (tão visada durante antigas manifestações) ficou fora do trajeto. Mas o povo sabe que a verdadeira casa de um prefeito é a prefeitura, para onde carregou seus cartazes com pedidos por mais saúde, educação e emprego, entre outras necessidades consideráveis.
Em menos de um mês, a revolta em massa rendeu frutos significativos nas principais capitais do País (como em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília). Se não fosse a ira popular, as tarifas do transporte público estariam à beira de outra elevação, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 certamente seria aprovada e os royaltes do petróleo nunca seriam 100% destinados à educação. Em Pitangui, a voz rouca das ruas ainda não rendeu muita coisa. É preciso gritar mais - e mais alto.
Texto originalmente publicado na edição impressa nº 383, de julho de 2013.
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