10 de julho de 2013

O futuro da Santa Casa

Anderson Gariglio*

A Santa Casa de Misericórdia de Pitangui (SCMP) está no fim de um processo de reestruturação organizacional que começou há cerca de dez anos. Vivemos um momento singular, no qual o equilíbrio e seriedade nos permitirão levar a assistência hospitalar em Pitangui a um nível de qualidade inimaginável.

A condição de mudança foi alcançada pelo trabalho desenvolvido pelo poder público, profissionais de saúde, colaboradores e pela Irmandade, em tempo de sofrimento e luta para todos e, principalmente, para a comunidade. As gestões anteriores conseguiram equacionar a questão financeira e continuar (heroicamente) a prestar serviços, apesar de todas as limitações técnicas e financeiras. Também conseguiram iniciar os processos de reforma física e melhoria dos equipamentos. 

Todos estes fatos foram de suma importância. Porém, o fato de termos obtido condições para pleitear verbas junto a órgãos estaduais e federais nos permite sonhar com uma Santa Casa melhor para todos. O atual corpo clínico crê e trabalha para contratar e qualificar novos profissionais - medida que, sem qualquer dúvida, vai de encontro ao anseio da comunidade. 

Neste ano de 2013, sob orientação de órgãos gestores municipais e estaduais, definimos também as vocações - ou seja, os tipos de pacientes (com suas complexidades específicas) que poderão ser atendidos na SCMP. Estas orientações são definidas com base na quantidade e na qualidade dos serviços prestados, nas estatísticas dos anos anteriores e sugerem que sejamos referência em cirurgia geral, ginecologia, obstetrícia e cirurgia vascular em Minas Gerais, pois o atendimento a pacientes vindos de cidades como Cláudio, Arcos, Araújos, Divinópolis, Ouro Branco, entre outras, tem sido significativo. 

Esse referenciamento nos permitirá ter especialistas atendendo diariamente, bem como a realização de cirurgias sem a demora atual, com mais segurança para o paciente, o médico e para a própria instituição, com a construção de uma Unidade Intermediária. Um paciente que buscasse por uma cirurgia de varizes, por exemplo, demoraria cerca de 75 dias, em média, para realizar todo o tratamento. Nesse período, ele teria passado pelas etapas de Duplex Scan, risco cirúrgico e cirurgia. O mesmo valeria para cirurgia geral e ginecologia.

Com estes serviços funcionando adequadamente, o corpo clínico e o poder público veem a possibilidade de viabilizar também, em parceria com a comunidade, a assistência pediátrica, principalmente para urgências - pois a falta desse tipo de atendimento tem sido motivo de sofrimento e angústia para pais com dificuldade em conseguir atendimento para seus filhos. 

Outro ponto que tem sido colocado pelo corpo clínico e negociado com a prefeitura é a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com médicos capacitados para atuar em casos urgentes e emergenciais, que seja uma espécie de retaguarda hospitalar. O fato de conseguirmos virar referência nos permitirá realizar exames mais complexos, como o de tomografia, por exemplo. A realização de ultrassonografia de mama e mamografia está sendo viabilizada pela Secretaria Municipal de Saúde.

O projeto de gestão compartilhada entre usuários, gestores, profissionais de saúde (bem como os meios para viabilizá-lo) está em pleno andamento. A proposta tem o aval do poder público, do corpo clínico, e aguarda aprovação da Irmandade, do qual depende para se concretizar.

(*) Anderson Gariglio é diretor clínico da Santa Casa de Misericórdia de Pitangui

Texto publicado na edição impressa nº 383. Julho de 2013.

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