31 de julho de 2013

Garotada bêbada

Vandeir Santos*

Noite de 23/3, sábado. Minha indisposição era grande. A dengue me causava um grande desânimo e a noite se tornava apática, sem graça. Não me restava opção, senão a cama. Mas, não de estômago vazio. Lanchando, sentado na porta do Juninho, passei a observar o movimento da área e, no canteiro central da pequena praça abaixo, uma turma de jovens gargalhava e se divertia - uma animação que contrastava com a minha situação.
 
Garrafas com bebidas alcoólicas são deixadas por aí (foto: Vandeir Santos)
 
Eram adolescentes. Meninos e meninas. O mais velho deveria ter uns 16 anos, mas a farra estava no fim. Retirando-se do local, eles entraram em uma Parati vermelha e subiram pela avenida Lima Guimarães. Uma cena comum no cotidiano pitanguiense. À primeira vista, nada demais. Será?

O que o fim da festa mostrou não foi somente uma falta de civilidade, ao deixarem para trás garrafas e copos sobre o canteiro. O problema maior era o conteúdo daqueles recipientes: álcool. Vodca e refrigerante cítrico compunham o cardápio, comum nas baladas da cidade.

Ali, em pleno centro de Pitangui, à vista de toda a população, um grupo de menores de idade se embebedando, e o pior, dirigindo sem habilitação (óbvio, pois não possuem idade para tal) e embriagados. Será que durante aquela festa não teria passado por ali nenhuma viatura da polícia? Nenhum parente que pudesse enxergar o risco do que estava acontecendo? Ninguém que tivesse autoridade bastante para impedir aquela atitude? O fato é que a juventude pitanguiense bebe – e muito. Seja em bares de ambiente aberto ou fechado, é comum ver menores ingerindo bebidas alcoólicas.

De quem é a culpa? Dos donos de bares? Também, mas, muitas vezes, a bebida nem é comprada no bar, pois fica mais barata se adquirida nas distribuidoras e supermercados, onde o preço faz com que a ela tenha uma relação de custo/benefício extremamente vantajosa.

Seria culpa da família, que, além de não monitorar e educar, permanece omissa na orientação a seus filhos e, ainda por cima, liberam veículos para que os menores alcoolizados dirijam? Seria do poder público, que também se omite ao não elaborar ações que possam coibir tal atitude?
 
É provável que nada seja feito. A única coisa que poderia mudar este cenário seria uma tragédia, daquelas que sensibilizam a população e incentivam a cobrar, de quem é dever, as providências para acabar com o que nunca deveria ter começado. Para uma cidade que luta para valorizar seu passado, a juventude corre sérios riscos de não estar em condições de proporcionar a ela um futuro melhor.


(*) Vandeir Santos é pesquisador e gestor do blog Daqui de Pitangui.

Um comentário:

  1. Bem observado caro Vandeir, oportuna a abordagem deste tema.

    Ocorre que os adolescentes estão cansados de ouvir ou ler esta tarja preta e séria que aparece minúscula nas propagandas de bebidas alcoólicas. Infelizmente, poucos levam a recomendação a sério. Resultado: 78% dos jovens brasileiros bebem regularmente e 19% deles já são dependentes do álcool
    Uso de álcool entre jovens*
    O padrão de uso de álcool entre jovens é influenciado por vários fatores: família, mídia, normas culturais ou religiosas e políticas públicas.
    Existem fortes evidências que a família e os pais representam a influência mais significativa no desenvolvimento do padrão de uso de álcool entre os jovens. Beber na adolescência pode ser um preditor de comportamento de uso de outras substâncias.
    Os jovens aumentam o risco de danos decorrentes do padrão de uso de álcool para diversos fatores.
    Emocionalmente, eles ainda estão em desenvolvimento, o que pode aumentar os riscos de danos físicos, por exemplo:
    • Jovens podem ter a sensibilidade reduzida para alguns efeitos tóxicos do álcool em comparação aos adultos ou pessoas mais velhas, como resultado, podem beber de maneira mais pesada;
    • O desenvolvimento das vias neurais dos jovens os deixam mais vulneráveis ao dano podendo levar a problemas cognitivos e outras funções fisiológicas;
    Jovens são mais propensos que os adultos a se envolverem a danos associados ao consumo de álcool, tais como:
    • Beber pesado (“porre" ou embriaguez);
    • Envolvimento em comportamentos agressivos, resultando em acidentes ou ferimentos (especialmente acidentes de trânsito);
    • Participação em outras atividades de risco, tais como comportamento sexual de risco.
    As orientações que podemos dar aos pais neste caso são as seguintes:
    • Mantenha um relacionamento aberto com seu filho. Isso aumenta a chance dele lhe contar sobre seus desejos e preocupações;
    • Converse com seu filho sobre os riscos do uso de álcool;
    • Faça isso de forma mais aberta e positiva e não de maneira ameaçadora;
    • Tenha regras claras sobre qual idade que você o permitirá consumir álcool (preferencialmente a idade legal permitida - 18 anos ou mais). Converse com ele quando ele ainda for jovem;
    • Estabeleça previamente com seu filho o que será feito caso ele não cumpra as regras;
    Dê um bom exemplo. Se você bebe, explique que os efeitos do álcool entre jovens e adultos são diferentes.

    Creio que o exemplo na família é fundamental. Graças a Deus e a minha filha Isadora, não faço uso de bebida alcoólica a anos. Parei quando a Isadora, pequenina, em um domingo qualquer me disse: “Papai, o Sr. Vem no fim de semana só para beber e dormir? Para de beber papai”.
    Resultado, parei naquela mesma hora. Hoje me embriago aos fins de semana mas da companhia da Isadora e tenho disposição para aproveitar bem as minhas horas de lazer.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza
    Pitangui/MG.

    *Partes do texto foi extraído da internet.

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